segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A malandragem do bonzinho



A malandragem do bonzinho não é feita com flores, bombons ou garrafas de vinho.
O bonzinho diz: eu fico com as crianças, vá fazer este curso; eu sei o quanto ele é importante para a sua carreira.
O bonzinho está com sua mulher quando ela está atravessando um período difícil no trabalho ou com sua família.
O bonzinho é aquele que estará ao lado dela no enterro de uma pessoa querida.
O bonzinho é o que vai colocar um copo d’água na mesinha de cabeceira todas as noites para lembrá-la do remédio que ela tem que tomar.
O bonzinho vai se dispor a consertar os aparelhos eletrônicos que misteriosamente param de funcionar.
O bonzinho vai estar com ela enquanto ela aguarda o resultado daquele exame médico que a deixou amedrontada ou que se revezará com ela junto ao berço de seu filho doente.
O bonzinho vai cozinhar junto com ela ou, melhor ainda, vai cozinhar para ela, vai ser um homem íntegro e honesto de quem ela terá orgulho e que será um modelo para seus filhos.
Enfim, o bonzinho estará realmente presente, mas até porque é um bom homem, ele aprendeu que deve ser modesto, que não deve fazer propaganda do que faz.
Isso poderia funcionar se as mulheres fossem mais maduras, se as imagens românticas dos meios de comunicação não fossem tão fortes e não nos mostrassem cenas românticas na praia, homens presenteando mulheres, jantares em restaurantes sofisticados, beijos longos em carros de luxo.
Deveria ser assim se nós valorizássemos mais o real e concreto que o imaginário, o fantasioso.
Mas o fato é que não somos e precisamos ser lembradas da importância dos gestos concretos da presença masculina.
Como fazer isso? 
Se ela ainda não sabe disso, copie o trecho acima, ponha na primeira pessoa (serei aquele que estará com você....) e entregue para ela.
Se ela se esquecer, reforce o que fizer com a expressão: não esqueça, eu estou com você, conte comigo.
Experimente apertar a mão dela, olhar nos seus olhos e dizer “não esqueça, eu estou com você” na sala de espera do médico.
O efeito de uma forte presença masculina em um momento difícil é muito eficaz, nos acalma e nos tranqüiliza, como em um passe de mágica.
Nós detestamos nos sentir sozinhas, especialmente quando estamos acompanhadas.
Mesmo que você também esteja com medo, mesmo que você não tenha certeza se vai conseguir consertar o equipamento, mesmo que não saiba o que dizer diante da morte, demonstre fisicamente que está junto com ela, que ela pode contar com você.
É disso que é feito o amor verdadeiro, ou ao menos é com isso que nós sonhamos.
Só precisamos despertar do sonho para descobrir que a realidade pode ser mais forte e mais preciosa do que o sonho.
Quer uma princesa? Desperte a Bela Adormecida.
Mostre a ela que o homem bonzinho é, na verdade, um Grande Homem.