segunda-feira, 6 de julho de 2015

O que é que a gente ganhou com o feminismo?


Volta e meia eu escuto mulheres amaldiçoando quem inventou “essa coisa de direitos iguais”.
“Agora temos que trabalhar em casa e fora de casa.”
“Os homens já não valorizam as mulheres, não são cavalheiros, românticos, só querem saber de sexo.”
São essas basicamente as duas queixas mais comuns.
Pois bem, meninas, querem se queixar? Falem comigo.
Eu vivi e lutei pela mudança dos costumes e igualdade de direitos, eu sou uma dessas feministas.
Por que?
Vocês podem ter uma visão romantizada dos tempos antigos: a mulher cuidando da casa e dos filhos, com tempo para se arrumar, descobrir receitas e ainda estar cheirosa para o marido quando ele chegasse depois de ter trabalhado e lutado para sustentar sua família.
Achar que os homens todos ganhavam muito dinheiro para sustentar suas lindas mulherezinhas é um pouco de inocência, né?
E se você não tivesse marido? Se ficasse solteira? Ia gostar de ser a tia sobre quem recairiam todos os encargos familiares?
E se seu pai fosse pobre, se seu marido não ganhasse o suficiente, se você ficasse viúva, se ele te batesse e você tivesse que se separar ou se ele a abandonasse? Você estaria trabalhando em condições muito piores do que hoje, sem as oportunidades no mercado de trabalho conquistadas pela luta feminista e pelo livre acesso à educação.
Enfim, não amaldiçoe o seu trabalho jogando a culpa nas feministas porque se você quiser, você pode parar de trabalhar e ficar esperando que um príncipe encantado a leve para morar no seu castelo. Trabalho, dentro ou fora de casa, não é maldição, é realização, é escolha.
Quanto às tarefas domésticas e aos cuidados com seus filhos, é seu papel escolher um homem que as divida consigo, que fique com a maior parte delas e trabalhe (e ganhe menos) ou mesmo um homem que se dedique exclusivamente a elas para que você trabalhe. É sempre uma questão de escolha, de arranjos.
Ai, mas já escolhi e meu marido é um desastrado na cozinha, não olha as crianças direito, jamais saberia cuidar da casa.
Será que você não está defendendo a casa, território “feminino”, para não ter concorrência? Desapega!
Tente tirar de sua cabeça os ideais de limpeza e organização de uma mulher que não trabalhava fora de casa. Pendure na sua casa uma faixa “Isto aqui não é um stand de decoração, aqui vive uma família e isso se chama lar.”
Agora, mesmo um homem moderno, compreensivo, inteligente e amoroso que ganhe menos que um macho provedor só vai dividir as tarefas domésticas se você usar  seu poder de negociação para fazer acordos igualitários em casa porque o ser humano (homem ou mulher) é mesmo um bicho muito folgado, minha filha.
Negociar como? Sabendo o valor que você tem.
Igualdade de gênero significa uma libertação para o homem também, significa que ele terá uma companheira, uma parceira para lutar com ele ombro a ombro.
E ela será suficientemente inteligente e bem informada para discutir os temas que o afligem no trabalho, por exemplo sem que ele tenha que buscar uma amante no escritório para isso.
Ah, chegamos ao sexo!
A gente lutou pela queda do tabu da virgindade cujo objetivo é valorizar a filha que passa do pai para o noivo intocada como um patrimônio, um objeto imaculado.
A gente lutou pela educação sexual para tirar a culpa que ofuscava o prazer de tantas relações, para viabilizar o controle da natalidade.
A gente lutou para que uma mulher que estivesse em um casamento conflituoso ou sem amor pudesse se divorciar, tentar ser feliz de novo e não fosse condenada e estigmatizada como era antigamente.
Enfim, a gente lutou para fazer com que relações de amor passassem pelo sexo sem que as mulheres perdessem “valor” por terem uma vida sexual plena.
Aí agora todo mundo acusa as mulheres de não se valorizarem.
Ninguém quis se igualar a alguns homens na banalização do sexo.
O erro talvez tenha sido justamente não reforçar o legítimo valor feminino, o amor próprio, a autoestima, aquela que foi dilapidada por séculos de papéis secundários em uma sociedade masculina.
Além do mais, mulher quando se apaixona fica burra, né? 
Junte essa burrice, autoestima mal construída e falta de experiência de viver em liberdade e temos a alegria dos malandros e suas promessas de amor eterno.  
Mas sabem sinceramente o que eu acho? Eu acho que mesmo  um pouco de sexo é muito sexo para os valores tradicionais. Então, sem nos darmos conta, engolimos o duplo padrão de moralidade: o homem com um histórico amoroso é conquistador e a mulher é promíscua. Ou seja, quero ir pra cama com todas as mulheres mas minha mulher sempre foi só minha. Olha aí a tal da folga de novo! Ou seria insegurança?
E é de novo na autoestima feminina que a sociedade machista vai bater para fazer com que as mulheres se sintam culpadas, se sintam ainda mais desvalorizadas. 
Mas dupla moral é uma questão de tempo e lugar. É menor em culturas europeias e é muito mais acentuada em países onde a mulher só pode exibir os olhos.
Enfim, você se sente sobrecarregada, quer dividir as responsabilidades financeiras e domésticas? Quer ser valorizada pelos homens? Quer que eles sejam atenciosos com você? Não aguenta mais tanto malandro em sua vida?
Só tem uma pessoa que pode conseguir isso. 
Você! A que não é mártir nem exploradora, nem promíscua nem virgem imaculada, mas uma mulher forte, batalhadora e livre para escolher bem um companheiro e criar com ele uma relação de harmonia e igualdade de forma inteligente e madura.
Ah, e nada de queimar sutiãs! Melhor usá-los para valorizar seu lindo colo de mulher amorosa e nele acolher o homem que a merecer.  






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A malandragem do bonzinho



A malandragem do bonzinho não é feita com flores, bombons ou garrafas de vinho.
O bonzinho diz: eu fico com as crianças, vá fazer este curso; eu sei o quanto ele é importante para a sua carreira.
O bonzinho está com sua mulher quando ela está atravessando um período difícil no trabalho ou com sua família.
O bonzinho é aquele que estará ao lado dela no enterro de uma pessoa querida.
O bonzinho é o que vai colocar um copo d’água na mesinha de cabeceira todas as noites para lembrá-la do remédio que ela tem que tomar.
O bonzinho vai se dispor a consertar os aparelhos eletrônicos que misteriosamente param de funcionar.
O bonzinho vai estar com ela enquanto ela aguarda o resultado daquele exame médico que a deixou amedrontada ou que se revezará com ela junto ao berço de seu filho doente.
O bonzinho vai cozinhar junto com ela ou, melhor ainda, vai cozinhar para ela, vai ser um homem íntegro e honesto de quem ela terá orgulho e que será um modelo para seus filhos.
Enfim, o bonzinho estará realmente presente, mas até porque é um bom homem, ele aprendeu que deve ser modesto, que não deve fazer propaganda do que faz.
Isso poderia funcionar se as mulheres fossem mais maduras, se as imagens românticas dos meios de comunicação não fossem tão fortes e não nos mostrassem cenas românticas na praia, homens presenteando mulheres, jantares em restaurantes sofisticados, beijos longos em carros de luxo.
Deveria ser assim se nós valorizássemos mais o real e concreto que o imaginário, o fantasioso.
Mas o fato é que não somos e precisamos ser lembradas da importância dos gestos concretos da presença masculina.
Como fazer isso? 
Se ela ainda não sabe disso, copie o trecho acima, ponha na primeira pessoa (serei aquele que estará com você....) e entregue para ela.
Se ela se esquecer, reforce o que fizer com a expressão: não esqueça, eu estou com você, conte comigo.
Experimente apertar a mão dela, olhar nos seus olhos e dizer “não esqueça, eu estou com você” na sala de espera do médico.
O efeito de uma forte presença masculina em um momento difícil é muito eficaz, nos acalma e nos tranqüiliza, como em um passe de mágica.
Nós detestamos nos sentir sozinhas, especialmente quando estamos acompanhadas.
Mesmo que você também esteja com medo, mesmo que você não tenha certeza se vai conseguir consertar o equipamento, mesmo que não saiba o que dizer diante da morte, demonstre fisicamente que está junto com ela, que ela pode contar com você.
É disso que é feito o amor verdadeiro, ou ao menos é com isso que nós sonhamos.
Só precisamos despertar do sonho para descobrir que a realidade pode ser mais forte e mais preciosa do que o sonho.
Quer uma princesa? Desperte a Bela Adormecida.
Mostre a ela que o homem bonzinho é, na verdade, um Grande Homem.

domingo, 30 de outubro de 2011

A arte de estar presente


Esta é uma especialidade do bonzinho, mas ele precisa aprender a tirar mais proveito disso e as mulheres precisam aprender a valorizar esse aspecto.
Eu estava passando em frente a uma faculdade uma noite dessas justamente no horário de saída das turmas. Notei a grande quantidade de carros ali estacionados e os homens do lado de fora aguardando suas namoradas, filhas, esposas.  Eu me emocionei com a cena porque observei com gratidão como os homens nos protegem.
É bom ser independente? É e não abrimos  mão disso, mas nós amamos a proteção masculina.  Sentir uma mão forte em nossos ombros quando atravessamos uma multidão, notar que o homem está atento aos movimentos da rua e se mantém do lado da rua nos guardando do lado da calçada, perceber que um homem discute com o mecânico, o chaveiro, o gerente do banco ou com quem quer que seja para nos defender, ah, isso resgata algo que é difícil de definir.
Eu me recuso a discutir ou a explicar isso, assim como cansei de tentar descobrir porque homens e mulheres são tão diferentes.
O fato é que são diferentes, o fato é que boa parte das mulheres gosta de proteção mesmo não dependendo dela.  Na verdade todo ser humano gosta de proteção, de carinho.  Nós também gostamos de preparar um chá nas noites mais frias quando nosso amado parece que vai ficar gripado e os homens gostam desta proteção.
Isso não é uma regra, homens podem gostar de preparar o chá e mulheres podem não querer serem esperadas na porta da escola.
Aqui não é a coisa que importa, é o espírito da coisa.
Saber que um pode contar com o outro é uma das maravilhas de um relacionamento.  Eu posso não precisar, mas sei que posso contar com ele, ah, isso faz de um bonzinho um homem irresistível.
Basta fazer o que vocês já fazem.
Não sei se foi por medo de ofender as mulheres com muita proteção, não sei se as mulheres andaram botando banca de muito duronas e independentes, o fato é que eu sinto que os homens se seguram, represam seu instinto de proteção.
Risque a palavra proteção, chame de companheirismo e você vai ver como fica mais fácil ser protetor, digo, companheiro.
Então vamos lá, como exercitar isso?
No contato físico há várias oportunidades:
Caminhe junto com ela, entre junto nos lugares, não a perca de vista em uma multidão, segure sua mão, ofereça seu braço, ponha a mão ao redor dos ombros dela, segure seu rosto e traga-a para junto de si para beijá-la.
Faça tudo isso com firmeza, com masculinidade.  Se necessário, pratique com sua irmã, sua prima, sua mãe (exceto a parte do beijo).
No cinema ou na frente da televisão aconchegue-a junto ao seu peito, passe a mão em seus cabelos, mantenha o contato físico sempre (mão no joelho, mãos dadas, mão boba).
Quando vocês estiverem em um grupo, experimente chegar por trás e enlaçar  a cintura dela.  É como se você estivesse rugindo “ela é minha” e que me desculpem as mais feministas, a gente adora essa marcação de território até porque ela é duplamente efetiva e funciona para que as outras mulheres saibam que “ele é meu” também.
O contato físico é extremamente importante porque vai reforçar aquilo que, com certeza, você estará fazendo no dia a dia.  
Veja no próximo post como o bonzinho está realmente presente na vida de sua mulher.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A arte da apreciação e do convite



Qualquer atraso do malandro é compensado logo no primeiro momento do encontro.
Ele age como se o resto do mundo não tivesse qualquer importância, como se pudesse parar o tempo com a alegria do reencontro.
Paralisado pela visão de sua amada, ele a devora com os olhos e diz que ela está realmente linda, troca um longo beijo e comenta algum detalhe especial.
Ele age como um degustador, um connaisseur e ela se sente recompensada pelo tempo e o dinheiro que gastou se preparando.  Horas no cabelereiro, horrores da depilação, prestações infindáveis na loja de roupa, toda a aflição da escolha do sapato e dos demais acessórios, regimes malucos para perder 2 kg em uma semana, tudo, tudo é esquecido.  Cada esforço compensou porque ele faz com que ela se sinta a mulher mais bonita do mundo.
Ele elogia e repara porque ele entende que não importa se o colar é uma jóia verdadeira ou uma bijuteria, pois ela o colocou com o objetivo de causar admiração.  Ego, vaidade, coisa de perua?
Não, isso se chama arte.  Nós mulheres somos artistas, gostamos de compor quadros com nossos corpos, de combinar cores, texturas, tamanhos.  O que todo homem precisa saber é que as mulheres se vestem para enfeitar o mundo e querem ser reconhecidas e valorizadas como uma obra de arte. 
Se esta obra for exposta ela vai ficar mais feliz ainda.  O malandro entende disso e tem sempre uma sugestão de programa.
Como o romance com um malandro geralmente tem vida curta e não há prestação de carro, aluguel ou escola de filho para pagar, o dinheiro é gasto em programas que impressionem: bons restaurantes, cinemas, teatro, shows.
Humm, encontros românticos, programas especiais, tudo isso é muito bonito durante um ou dois meses, mas e depois de dez anos de casados quando o casal se vê todos os dias? - podem argumentar os bonzinhos.
É só não esquecer: a competição existe e as conquistas devem ser cotidianas.
Vocês vão todos os dias para o trabalho, certo?  E por acaso vão de abrigo de ginástica?
Por que é que homens e mulheres sem tanta importância para vocês os veem barbeados, perfumados, arrumados e bem penteados?
Ah, eu quero relaxar ao menos em casa, quero colocar aquele pijama velho, aquela camiseta molinha e furadinha, aquela bermuda manchada e ficar numa boa assistindo televisão com a barba por fazer.
Ótimo, perfeito para apreciar sua mulher com aquele roupão do tempo em que seus filhos nasceram, o cabelo sujo, o rosto sem maquilagem e um chinelo molengo.  Acredite-me, ela não estará em seu estado natural assim.  Apenas se cansou.
Você quer uma mulher sempre bonita? Aprenda com o malandro e mantenha a motivação da mulher para se arrumar para  você: elogie e faça convites.
Lembre-se que quanto maior a apreciação do homem, menos importância terá a opinião das outras pessoas (e dos outros homens).  Caso ela não seja admirada, prepare-se para gastar com restaurantes e outros lugares onde ela queira “desfilar” e receber a admiração que você não lhe proporcionou.  Até que ela se canse e relaxe, o orçamento de vocês estoure ou...
Não seja sedentário, doe a roupa velha, invente programas.
Sem grana para bancar bons programas no dia-a-dia? Se você for inteligente, vai usar sua criatividade e imaginação para bolar programas incomuns.
O importante aqui é o convite.  Um convite para tomar um café e a mulher já vai ter a oportunidade de colocar aquele casaco novo (não esqueça de elogiar). 
Todo domingo de manhã vocês vão ao parque ou estão passando alguns dias na praia?
Convide-a para ir no finalzinho do dia para apreciar o pôr-do-sol ou a lua cheia na praia.
Ouvir música em casa mesmo, assistir a um concerto, namorar na hora do almoço durante a semana, fazer um piquenique no chão da sala, na laje do edifício, ir a uma livraria, assistir a uma palestra, fazer uma aula teste em um curso de dança de salão, um curso de culinária, enfim, use sua imaginação e divirta-se.
Isso é divertido, não é obrigação, não é estratégia.
Convidar significa que você quer a companhia dela para algo, que você pensou em algo que vai alegrar a ambos, que você a deseja, é renovar a arte do encontro.
Os malandros gostam de mulheres, na verdade de várias mulheres ao mesmo tempo.
Homens bonzinhos gostam de suas mulheres por toda a vida.
Bonzinhos que estão sempre reforçando seu carinho através de convites são irresistíveis.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Todo homem é malandro (e toda mulher também)


No início do namoro, homens e mulheres são malandros; durante um processo seletivo, todo candidato é malandro; quando alguém tenta nos vender alguma coisa, usa de algum grau de malandragem, enfim, enquanto não se conquista o quer, todo mundo sabe ser malandro.  Até seu pai é malandro e, com todo respeito, a senhora sua mãe também.
Não, pera lá, eu não xinguei seu pai e muito menos sua mãe de cafajestes.
Malandro é uma coisa, cafajeste é outra.
O cafajeste não exagera, floreia, ele mente mesmo.  O cafajeste não ama ninguém a não ser ele mesmo.  Enfim, o cafajeste é o que os psicólogos chamam de sociopata, são perigosíssimos e não há manual que ensine alguém a  ser um cafajeste.  Vamos aprender com o malandro.
O que é ser malandro?  Ser malandro é se empenhar na conquista, mostrar seu melhor lado, estar atento ao outro, antecipar necessidades e surpreender com ações, palavras e gestos pequeninos ou grandiosos, mas que sempre demonstrem o quanto o outro é importante para nós.
Depois do casamento, depois da venda, depois da contratação, vem a segurança e o senso do dever.
O senso de dever nos faz esquecer o que queremos e passamos a lidar com as atividades como obrigação o que, francamente, não tem a menor graça.  É aí que perdemos a malandragem saudável, o estímulo à criatividade e à ação.
As boas empresas lidam com isso criando planos de carreira, estabelecendo objetivos anuais e aumentos de salário; a publicidade estimula novas necessidades, a democracia estabelece novas escolhas a cada quatro anos, enfim, é a velha história da cenoura sempre mais à frente.
E os casais? Bem, com os casais a coisa fica mais difícil já que, teoricamente, o casamento é eterno. 
As mulheres se queixam que os maridos não se esforçam para conquistá-las cotidianamente, os homens acham que incluir mais essa obrigação na sua já extensa lista de deveres é uma exigência descabida.  Eles já são bonzinhos, não basta?
Não, não basta.  Você pode até manter uma mulher ao seu lado,  mas será que isso é o suficiente?  Por que um índice crescente de divórcios?
Minha hipótese:
O trabalho coloca a mulher na mira da malandragem masculina e desperta a malandragem nela também.
Por que você acha que as mulheres não podiam trabalhar antigamente?
Por que o homem queria  manter a segurança em casa e exercitar a malandragem no escritório.
Hoje o mundo do trabalho está cheio de malandros e malandras que viraram bonzinhos porque se casaram, mas que são grandes malandros em potencial.
A malandragem não morre; ela hiberna.
Basta a vontade surgir, para a malandragem despertar e as velhas táticas de conquista serem postas em prática.
O malandro e a malandra vão voltar a ouvir com atenção, a se vestir com extremo cuidado, a falar o que o outro quer ouvir, a tentar descobrir quem é aquela pessoa à sua frente e como fazê-la se sentir a pessoa mais especial do mundo.
É um jogo inconsciente, inconseqüente e que pode provocar muita dor.
Para mim, a malandragem é o estado natural do ser humano.  Enquanto nós não chegarmos a um estado de maturidade e evolução tão grande que nos permita sermos gratos pelo que temos ao invés de buscarmos sempre novas conquistas, vamos seguir por uma longa trilha.  No meio do caminho muito estímulo, hormônios e nossa imperfeita condição humana.
Minha sugestão? Que maridos e mulheres desenvolvam a malandragem entre si.  Este é o segredo desses casais felizes que a gente vê por aí: estão sempre se conquistando.
Pra que fazem isso se eles já conquistaram o objeto do seu desejo?
Ah, essa é a suprema malandragem, o pulo do gato realmente essssperto.
Malandro que é malandro sabe que a vontade é o bicho mais arisco que existe por aí, que pode fugir a qualquer instante e que não tem gaiola, instituição, laço ou contrato que a prendam.
Malandro tem que saber que o mundo tá cheio de outros malandros e que se a sua gata (ou o seu gato) se mantiverem interessantes e atraentes podem estar na mira desses malandros que vão enxergar tudo que o bonzinho nem percebe mais..
Malandro que é bom não relaxa sobre os louros, não acha que “tá dominado” e não deixa de atrair, cultivar e cativar o seu par,  mostrando seu  melhor lado e, principalmente, se interessando por todos os lados da pessoa amada.
E como é que a gente faz para mostrar sempre o nosso melhor lado para alguém que está conosco há anos?
Inovando! Desenvolvendo novos melhores lados, aprendendo, crescendo, se tornando uma pessoa cada vez mais interessante com o tempo.
Enfim, a vontade é o que nos move.  Despertá-la nos outros e estar atenta a ela faz a jornada muito mais divertida do que a obrigação.  Isso  serve para maridos e mulheres, empresas e clientes, empregados e empregadores, todos, todos muito malandros.
Então, mãos à obra! Vamos conhecer alguns truques dos malandros que tornam qualquer bonzinho irresistível. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mulher de Malandro?


Toda mulher é mulher de malandro.
Sim, por favor.  É este desejo secreto que todo homem bonzinho deveria conhecer.
As mulheres adoram os malandros.  O malandro repara na roupa, traz flores, poemas ou convites para admirar o luar.  Qual dos dois as mulheres preferem?
Casamo-nos com os bonzinhos (aliás, eles são do tipo de propor casamento), mas nos apaixonamos pelos malandros.
O bonzinho é correto, não mente, não trai, trabalha demais e descansa de pijama e chinelo na frente da TV.   Ah, o ar de gato dos telhados comparado ao cão domesticado que temos dentro de casa!
Cruel?
Crueldade é se enfeitar esperando um convite, um elogio, uma cantada e receber de volta o suspiro desanimado de alguém diante de uma obrigação.
Não há uma regra, mas os bonzinhos geralmente são engenheiros, administradores, analistas de sistemas, militares, funcionários públicos, executivos da Produção, do Jurídico ou de qualquer área onde tenham que exercer continuamente o domínio da razão.
Os malandros?
Estes, quando trabalham, são publicitários, artistas, executivos de Marketing ou Vendas ou donos de empreendimentos incomuns, homens que vivem de expressar emoções.
Emoções verdadeiras? Nem sempre.
Assim como o bonzinho aprende cedo a se comportar, o malandro lida com a imagem, vive da imagem, apega-se a ela numa escravidão quase tão ferrenha quanto a do bonzinho.
É assim que ele fala mais do que sente, engana, ilude, cria e desfaz fantasias com a facilidade de um mago do amor.
É como se ele tivesse que reafirmar reiteradamente seu amor para torná-lo real.  E ele ama?  É claro que sim.  Toda mulher que já se apaixonou por um malandro duvidou um dia disto, para concluir que, real ou verdadeiro, o amor dele é tão inebriante que vale a pena ser vivido.  Flores sendo enviadas de uma cidade para a outra, recados incandescentes na secretária eletrônica, elogios que a fazem se sentir a mulher mais especial do mundo.  O que mais uma mulher pode querer?
Um amor verdadeiro?
Por que não?  Já que é muito difícil ensinar o malandro a amar verdadeiramente, fico me perguntando porque os homens bonzinhos não aprendem com os malandros a expressar suas emoções.
Tive um vizinho (malandro) que deveria dar aulas para todos os maridos do prédio, pois sabia como agradar à mulher amada.  Surpresas como bilhetes nas calcinhas quando ele viajava ou finais de semana especiais para comemorar datas das quais ela nem se lembrava mais eram uma “rotina” na vida desta afortunada mulher.
Enquanto isto nós, suas vizinhas, ficávamos felizes quando nossos maridos se lembravam de passar pela locadora e encomendavam uma pizza para o sábado à noite.
Ciente de sua superioridade moral, o homem bonzinho só é abalado em seu torpor quando a mulher o troca por um malandro (eles são irresistíveis).
A dor profunda é manifestada, agora sim, na proporção inversa à falta de demonstração do amor.
Perdem os dois.  A mulher vai descobrir rapidamente que, com raras exceções, aquela fumaça toda do malandro não escondia nenhum fogo mais duradouro.
Acostumada com a segurança e lealdade do amor canino, ou ela adquire fôlego de gata ou vai correndo para os braços do primeiro homem bonzinho que lhe aparecer pela frente.
Bonzinhos de todo o mundo, aprendei com os malandros!
Saiam do comodismo e esforcem-se para agradar sua amada.
Percam a timidez, façam carinho em público, tentem escrever poemas, façam loucuras, sonhem em dupla com o impossível, reservem tempo para o amor.
Vocês valem muito a pena, mas, desconheço produto bom que sobreviva sem propaganda.