No início do namoro, homens e mulheres são malandros;
durante um processo seletivo, todo candidato é malandro; quando alguém tenta
nos vender alguma coisa, usa de algum grau de malandragem, enfim, enquanto não
se conquista o quer, todo mundo sabe ser malandro. Até seu pai é malandro e, com todo respeito,
a senhora sua mãe também.
Não, pera lá, eu não xinguei seu pai e muito menos sua mãe
de cafajestes.
Malandro é uma coisa, cafajeste é outra.
O cafajeste não exagera, floreia, ele mente mesmo. O cafajeste não ama ninguém a não ser ele mesmo. Enfim, o cafajeste é o que os psicólogos
chamam de sociopata, são perigosíssimos e não há manual que ensine alguém
a ser um cafajeste. Vamos aprender com o malandro.
O que é ser malandro?
Ser malandro é se empenhar na conquista, mostrar seu melhor lado, estar
atento ao outro, antecipar necessidades e surpreender com ações, palavras e
gestos pequeninos ou grandiosos, mas que sempre demonstrem o quanto o outro é
importante para nós.
Depois do casamento, depois da venda, depois da contratação,
vem a segurança e o senso do dever.
O senso de dever nos faz esquecer o que queremos e passamos
a lidar com as atividades como obrigação o que, francamente, não tem a menor
graça. É aí que perdemos a malandragem
saudável, o estímulo à criatividade e à ação.
As boas empresas lidam com isso criando planos de carreira,
estabelecendo objetivos anuais e aumentos de salário; a publicidade estimula
novas necessidades, a democracia estabelece novas escolhas a cada quatro anos,
enfim, é a velha história da cenoura sempre mais à frente.
E os casais? Bem, com os casais a coisa fica mais difícil já
que, teoricamente, o casamento é eterno.
As mulheres se queixam que os maridos não se esforçam para
conquistá-las cotidianamente, os homens acham que incluir mais essa obrigação
na sua já extensa lista de deveres é uma exigência descabida. Eles já são bonzinhos, não basta?
Não, não basta. Você
pode até manter uma mulher ao seu lado,
mas será que isso é o suficiente?
Por que um índice crescente de divórcios?
Minha hipótese:
O trabalho coloca a mulher na mira da malandragem masculina
e desperta a malandragem nela também.
Por que você acha que as mulheres não podiam trabalhar
antigamente?
Por que o homem queria
manter a segurança em casa e exercitar a malandragem no escritório.
Hoje o mundo do trabalho está cheio de malandros e malandras
que viraram bonzinhos porque se casaram, mas que são grandes malandros em
potencial.
A malandragem não morre; ela hiberna.
Basta a vontade surgir, para a malandragem despertar e as
velhas táticas de conquista serem postas em prática.
O malandro e a malandra vão voltar a ouvir com atenção, a se
vestir com extremo cuidado, a falar o que o outro quer ouvir, a tentar
descobrir quem é aquela pessoa à sua frente e como fazê-la se sentir a pessoa
mais especial do mundo.
É um jogo inconsciente, inconseqüente e que pode provocar
muita dor.
Para mim, a malandragem é o estado natural do ser
humano. Enquanto nós não chegarmos a um
estado de maturidade e evolução tão grande que nos permita sermos gratos pelo
que temos ao invés de buscarmos sempre novas conquistas, vamos seguir por uma
longa trilha. No meio do caminho muito
estímulo, hormônios e nossa imperfeita condição humana.
Minha sugestão? Que maridos e mulheres desenvolvam a malandragem
entre si. Este é o segredo desses casais
felizes que a gente vê por aí: estão sempre se conquistando.
Pra que fazem isso se eles já conquistaram o objeto do seu
desejo?
Ah, essa é a suprema malandragem, o pulo do gato realmente
essssperto.
Malandro que é malandro sabe que a vontade é o bicho mais
arisco que existe por aí, que pode fugir a qualquer instante e que não tem
gaiola, instituição, laço ou contrato que a prendam.
Malandro tem que saber que o mundo tá cheio de outros
malandros e que se a sua gata (ou o seu gato) se mantiverem interessantes e
atraentes podem estar na mira desses malandros que vão enxergar tudo que o
bonzinho nem percebe mais..
Malandro que é bom não relaxa sobre os louros, não acha que
“tá dominado” e não deixa de atrair, cultivar e cativar o seu par, mostrando seu
melhor lado e, principalmente, se interessando por todos os lados da
pessoa amada.
E como é que a gente faz para mostrar sempre o nosso melhor
lado para alguém que está conosco há anos?
Inovando! Desenvolvendo novos melhores lados, aprendendo,
crescendo, se tornando uma pessoa cada vez mais interessante com o tempo.
Enfim, a vontade é o que nos move. Despertá-la nos outros e estar atenta a ela
faz a jornada muito mais divertida do que a obrigação. Isso
serve para maridos e mulheres, empresas e clientes, empregados e
empregadores, todos, todos muito malandros.
Então, mãos à obra! Vamos conhecer alguns truques dos
malandros que tornam qualquer bonzinho irresistível.
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